Todos acompanharam o “bate-boca jurídico” que envolveu o Ministro Joaquim Barbosa e o atual Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Deixando os juízos (mas não os juízes) de valor de lado, algumas questões pertinentes ao caso não foram comentadas. Poucos sabem que este tal de Gilmar Mendes, que não se cansa de fazer declarações públicas contra o MST e qualquer movimento social, é o mesmo que conseguiu a cassação do prefeito de Diamantino (cidade do Mato Grosso) por ter investigado as contas do prefeito anterior, Chico Mendes, que é seu irmão. Também não é de conhecimento público que os “Mendes” são latifundiários no Mato Grosso e Gilmar tem ainda uma faculdade de direito que possui contratos milionários com o governo federal. Nomeado para o STF por Fernando Henrique Cardoso, Gilmar Mendes não esconde que sua principal referência política é o neofascista italiano Silvio Berlusconi.
E tem mais: Gilmar favoreceu judicialmente mais de uma vez aquele banqueiro-bandido, o Daniel Dantas (que possui no seu currículo invejável o fato de ser o dono do Banco Opportunity e da Brasil Telecom, sócio dos filhos do Presidente Lula e atual patrão do Zé Dirceu), acusando, por enquanto sem provas, o delegado que investiga o caso (o Protógenes) de ter grampeado uma ligação sua com um deputado do DEM.E para finalizar: se alguém entrar no site do IDP, Instituto Brasiliense de Direito Público, que é de propriedade do Ministro Gilmar Mendes, vai constatar que entre os professores desse instituto estão os senhores Eros Roberto Grau, Marco Aurélio Mello, Carlos Ayres Britto, Carlos Alberto Menezes Direito, César Peluzo e a senhora Cármen Lúcia Antunes Rocha .
Ou seja, seis Ministros do STF trabalham para Gilmar Mendes. Daquela lista que assinou o documento de apoio ao presidente do STF, seis ministros na verdade estavam dando apoio ao patrão, pois são obviamente remunerados por este! E o problema é muito pior. Pode um STF funcionar de forma imparcial se o seu presidente tem vínculos empregatícios com seis de seus membros?
A pergunta que não quer calar é: há, efetivamente, autonomia entre os poderes?
A nudez do judiciário expõe que, na verdade, nenhum dos poderes está acima dos interesses de classe. Estado de Direito é conversa pra boi dormir...
Olho aberto, as eleições estão chegando. Não seria muita surpresa se algum “apadrinhado” desses juízes resolver se candidatar a algum cargo público. Mas temos sorte do povo brasileiro não admitir corruptos como representantes. Ou será que estou errado??
