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Perguntas Ociosas

Esse blog possui o intuito de te mostrar um mundo interessantíssimo, por meio de histórias, desenhos, textos, músicas e crônicas criados por jovens que não estão aqui simplesmente para ficar formulando perguntas ociosas, previsões ou falando da vida alheia. O lugar virtual onde você possa pensar, essa é a intenção. Você vai se identificar de alguma forma. Saudações, Os sem castelo.

O dia que ainda não terminou

Onze de setembro de 2001. Não é necessário muitos esforços para clarear a memória. Basta dizer que se trata do dia em que o maior império do Ocidente sucumbiu perante um punhado de loucos barbudos. Basta dizer que, a partir desse dia, o Aurélio teve que mudar sua definição para a palavra "improvável".

Antes, porém, sinto-me na necessidade de fazer uma ressalva: para pensar acerca dos atentados contra o Tio Sam é preciso deixar de lado as inúmeras teorias conspiratórias que rondam e temperam o assunto, ainda que se acredite parcialmente nelas, como é o caso de quem vos escreve. Mas isso pouco importa. O fato é que, desde então, os acontecimentos se sucederam de uma forma diferente. E eu posso explicar.

Desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, os Estados Unidos passaram a controlar de forma mais incisiva as diretrizes de um mundo pós-Guerra Fria. A vitória do capitalismo perante o socialismo soviético só não foi unânime graças a Alá e seus seguidores. Estes sempre foram entraves, ameaças em potencial para as pretensões norte americanas. Mas declarar uma guerra, simplesmente, contra essas nações, não seria muito recomendado. Isso até setembro de 2001.

De lá para cá, o jogo mudou. Os atentados possibilitaram a Bush uma nova tática, agora totalmente justificável e necessária: a guerra contra o terror.

Foi então que o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, que se julgava presidente de toda a humanidade, pôde enfim dar vazão ao seu discurso. Presenciou seu álibi nascer no momento em que duas torres desmoronavam: atacar Iraque, Afeganistão e quem mais fosse preciso agora era uma obrigação.

A invasão do Afeganistão e a Guerra no Iraque (ordenadas por Deus, segundo Bush) só foram viabilizadas depois do fatídico Setembro 11. A democracia, que no nosso mundo foi sempre um lamentável mal-entendido, foi a desculpa lembrada por um político que fez questão de esquecê-la no momento da contagem dos votos da famigerada Califórnia de seu irmão, que concretizou sua vitória. As armas químicas e biológicas, outra desculpa esfarrapada, até hoje não foram encontradas. Mas os petro-dólares sim, podem apostar.

A ânsia de Bush em desestabilizar o Oriente Médio não surtiu muito efeito. Bin Laden continua enviando periodicamente seus vídeos, como um analista político caçoando da maior potência do mundo e de seus cidadãos-robôs. E os ameaçando, claro. O Iraque, este nem precisava de muito esforço para destruí-lo, visto que o próprio Saddam se encarregou da tarefa. A diferença é que os norte-americanos escolheram, por conta própria, terminar de afundar um barco que já estava afundando, mas não tiveram tempo de cair fora antes. Alguém duvida que os Estados Unidos perderam esta guerra?? Alguém duvida que o Iraque se tornou uma extensão de Guantánamo??

Talvez tivesse sido mais eficaz (e mais barato) para os americanos se estes tivessem arremessado calcinhas vermelhas e filmes eróticos em terras árabes. O impacto seria maior, e os resultados seriam outros, mais profundos e revolucionários, certamente.

Mas nem tudo são mísseis e bombas. A partir de 11 de setembro os estadunidenses entram em pânico até quando acaba a energia. O legado do medo e do terror, estes sim perdurarão por décadas, por gerações. Talvez a melhor prisão realmente seja aquela com 1000 janelas, e com certeza é nessa que eles estão encarcerados. Não que uma nação mereça acordar e ver aviões se chocando contra seus prédios. Mas eles plantaram, agora estão colhendo.
Read More 22 críticas | Por Renan edit post

14 Milhas Terrestres


Dessa vez não tenho dúvida. Dúvida alguma, dúvida nenhuma. Não recebi flores por engano, nem contemplei olhos d'água contra a luz. Muito menos fui elogiado desmerecidamente. Talvez tenha até lido odes e elegias, mas isso fica para outrem.


Como no Ano Novo alguém pode se destacar por sua originalidade - vestindo branco - ?Como alguém tem sua própria maquilagem em plena tarde de um dia de branco? Da mesma maneira, o preto e o branco são tão simples, tão cinema antigo, que se combinam somente em ti, em tuas vestes, em suas túnicas.


O vento e a falta de vento, o suor em oposição à maquilagem, o suor secando após descida, sentir por antecipação o gosto pesado da poeira. Ao prometer enganando, fez o bastante: enganou prometer.





Quem fui eu para lhe fazer prometer? E quem é você, para me fazer acreditar em algo real, em algo mortal?


Antes de ver o sol se pondo, e prevendo a noite ao fim das 7 milhas, me perguntei com que simplicidade aceita ser a inspiração de todos, sem dar notícia alguma, sem dar nenhuma notícia.Pois se eu lhe perguntasse, receberia um sorriso como resposta, o que me deixaria mais confuso ainda.






Sem fazer esforço algum para, depois de ser encontrada, sorrir. Sorrir.


O biscoito da sorte até me disse que um pequeno sorriso pode conter uma grande alegria.


E anos viram segundos, e minutos viram segundos. Nessa metamorfose, há uma poeira: estradas viram montanhas, borboletas e aves ficam invisíveis, para não falar que não estavam ali.


Surgem os símbolos, e se isso não é amor, foi você. Ser recebido depois de um milênio de silêncio, indo até a deusa, as expectativas já estavam implorando, humilhadas.


Deuses não descem do Olimpo por um mortal. Mas mortais não voam. Andam, correm ou pedalam até lá.Eles têm um coração. Mortais esses que, pelos livros são chamados de heróis, e por outros mortais, loucos.





Somos loucos pela vida, e pelas flores na estrada.


Loucos por elas, que, ignorando o anseio, não respondem nada.






Ex aspectu nascitur amor
Read More 23 críticas | Por Dú Esperanco edit post

A assim chamada promiscuidade administrativa

Meus queridos compatriotas, primeiramente eu gostaria de manifestar meu profundo desejo de escrever algo sobre os escândalos aos quais somos contemplados todo santo dia, principalmente naquele prostíbulo que insistem em chamar de Senado. Mas as falcatruas do cafetão-mor, seu José Sarney, esgotam toda a minha inspiração e criatividade. Criticá-lo, rechaçá-lo e se indignar seria chover no molhado. Por isso, sigo na contramão. Nesse sentido, um assunto em especial me chamou a atenção.

Em 2009 completam-se 12 anos da escandalosa privatização da Companhia Vale do Rio Doce, a então tradicional estatal fundada em 1942 e desde 1974 a maior exportadora de minério de ferro do mundo, com jazidas suficientes para 400 anos. Menina dos olhos dos mais radicais privatistas, a companhia é alardeada hoje como o exemplo do acerto que teria sido o Programa Nacional de Desestatização levado a cabo pelo governo FHC, que entregou boa parte das estatais ao capital privado e estrangeiro a preço de banana. Vamos aos fatos.

A Vale foi leiloada em maio de 1997. A primeira polêmica envolveu a cotação da estatal, realizada pela corretora Marril Lynch, que a avaliou em R$ 10 bilhões. A empresa foi acusada de sub-avaliar jazidas e o conjunto do complexo industrial da empresa, com patrimônio superior a R$ 90 bilhões (mais tarde se descobriu que a corretora era ligada à empresa Anglo American, participante do leilão). Quem comprasse a Vale levaria, de brinde, duas ferrovias, nove portos, empresas de alumínio, papel e celulose espalhadas em 11 países, além dos R$ 700 milhões em caixa que a Vale já possuía no momento da privatização. Mas não é só.

O edital elaborado anteriormente ao leilão, que nasceu de uma avaliação feita por um consórcio de empresas do qual participaram Bradesco e Marril Lynch, não permitia que qualquer pessoa física ou jurídica que compactuasse com a avaliação tivesse qualquer participação na arrematação. No entanto, o próprio Banco Bradesco é hoje o principal acionista privado, burlando as regras que ele mesmo ajudou a criar.

No final do leilão, a Vale foi vendida por ridículos R$ 3,3 bilhões. Para se ter uma idéia, esse valor significa menos do que o lucro da empresa em apenas três meses. Mas o governo FHC, mesmo sabendo que 70% da população brasileira desaprovava as privatizações, ignorou os números e as leis, rapinando os bens públicos com seguidas desestatizações.

Além disso, a privatização da Vale foi inconstitucional por vender reservas de urânio, que são de propriedade exclusiva da União, alienar milhões de hectares de terras e permitir a exploração de minérios na faixa de fronteira, o que não poderia ser feito sem a aprovação do Congresso Nacional. Os altos lucros da Vale só provaram o enorme prejuízo que o setor público amargou com a sua venda. Tais lucros não advêm de um suposto bom gerenciamento do setor privado, mas de uma situação externa favorável, causada pelo aumento da demanda de matéria prima pela China e o conseqüente aumento do preço do minério (o governo FHC sabia disso). Como se isso não bastasse, dias antes do leilão foram descobertas jazidas de minério, incluindo ouro, que não foram contabilizadas no preço mínimo de venda.

Mas esse é apenas um exemplo de que corrupção não é prerrogativa deste ou daquele governo. A verdade é que nossos políticos pensam que somos idiotas, e eu estou desconfiado de que eles têm razão. Como diria Nelson Motta, diante da convicção de que eles triunfarão, que jamais pagarão por seus crimes, que continuarão ricos e podres, e ainda assim respeitáveis, resta-nos ridicularizar suas figuras toscas, seus cabelos tingidos e suas caras fingidas. Para que suas esposas e suas amantes leiam, e seus filhos se envergonhem deles no colégio, da mesma forma que nós nos envergonhamos todos os dias.
Read More 19 críticas | Por Renan edit post

O Trabalho de um Gênio Incompreendido



Consagrado por grandes estudiosos e sociólogos como uma das obras mais importantes do Realismo, Dom Casmurro é uma narrativa subjetiva construída de maneira a inserir o leitor na trama.
Por se sentirem dessa maneira, porém, muitos se envolvem de tal forma à história, que se preocupam em analisar muito o seu clímax. O famoso enigma de Capitu, como ficou conhecida a suposta traição que atormentara Bento Santiago, foi amplamente discutida, defendida e questionada. Dessa maneira, porém, talvez uma outra questão de maior mérito do romance machadiano não tenha sido devidamente contemplada.
Trata-se da genialidade de Machado de Assis ao retratar, por meio do caráter das personagens, comportamentos sombrios do ser humano. Egocentrismo, , hipocrisia e inveja permeiam a obra, característica do realismo. Eles foram inseridos de uma maneira tão perspicaz que os sentimentos e as impressões das personagens se confundem com a história e até mesmo influenciam o entendimento do leitor.
Ao manusear o livro pela primeira vez, li o pequeno texto impresso na contracapa. Um pequeno quadrado continha algumas palavras que talvez até levassem um leitor desprevenido a adquirir o romance por acaso. Convidavam-no a descobrir a quem pertencia a verdade na história. Em outros termos, apelava para a pergunta repetida inúmeras vezes e até mesmo discutida em teses de pós-graduação: “Afinal, Capitu traiu ou não Bentinho?”.
Como ainda não caminhara pelas palavras machadianas, aceitei o convite e entrei, também, na história. Algo me conteve, porém, mais do que a simples ambição de responder a pergunta feita pela Editora Moderna para vender o livro. A impressão de estar assistindo ao que o protagonista descreve é constante. As maravilhosas descrições oferecidas por Machado permitem ao leitor quase ouvir o farfalhar das anáguas de Capitu, passear por entre os coqueiros de Mata Cavalos e sentir os dedos frios de Escobar. Outro fator que nos transporta para dentro do romance é a fala direta com o leitor, outra característica realista impressa nas páginas. Cada detalhe é minuciosamente colocado e conforme a história vai passando, sutilmente percebem-se as personalidades e as críticas à sociedade da época.
Nascido em uma família humilde e sem ter tido a oportunidade de estudar, Machado superou todas as adversidades e escreveu a narrativa mais bem construída do seu tempo. D. Casmurro atravessa gerações e antecede movimentos literários importantíssimos na arte da escrita com cores brasileiras.
Só nos resta reconhecer que Machado de Assis é de fundamental importância na Literatura Brasileira, marcando inclusive o início de um movimento literário, que foi o Realismo.Importante compreender também que nem sempre o que as editoras escrevem na contra capa é de fato o mais importante e discutível de uma obra.
Ler Dom Casmurro é como ser tragado para um infidável mar de emoções humanas trabalhadas de maneira genial por um dos maiores nomes da Literatura Brasileira.


Difficile est longum subito deponere amorem.
Read More 18 críticas | Por Helena edit post
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