
Dessa vez não tenho dúvida. Dúvida alguma, dúvida nenhuma. Não recebi flores por engano, nem contemplei olhos d'água contra a luz. Muito menos fui elogiado desmerecidamente. Talvez tenha até lido odes e elegias, mas isso fica para outrem.
Como no Ano Novo alguém pode se destacar por sua originalidade - vestindo branco - ?Como alguém tem sua própria maquilagem em plena tarde de um dia de branco? Da mesma maneira, o preto e o branco são tão simples, tão cinema antigo, que se combinam somente em ti, em tuas vestes, em suas túnicas.
O vento e a falta de vento, o suor em oposição à maquilagem, o suor secando após descida, sentir por antecipação o gosto pesado da poeira. Ao prometer enganando, fez o bastante: enganou prometer.
Quem fui eu para lhe fazer prometer? E quem é você, para me fazer acreditar em algo real, em algo mortal?
Antes de ver o sol se pondo, e prevendo a noite ao fim das 7 milhas, me perguntei com que simplicidade aceita ser a inspiração de todos, sem dar notícia alguma, sem dar nenhuma notícia.Pois se eu lhe perguntasse, receberia um sorriso como resposta, o que me deixaria mais confuso ainda.
Sem fazer esforço algum para, depois de ser encontrada, sorrir. Sorrir.
O biscoito da sorte até me disse que um pequeno sorriso pode conter uma grande alegria.
E anos viram segundos, e minutos viram segundos. Nessa metamorfose, há uma poeira: estradas viram montanhas, borboletas e aves ficam invisíveis, para não falar que não estavam ali.
Surgem os símbolos, e se isso não é amor, foi você. Ser recebido depois de um milênio de silêncio, indo até a deusa, as expectativas já estavam implorando, humilhadas.
Deuses não descem do Olimpo por um mortal. Mas mortais não voam. Andam, correm ou pedalam até lá.Eles têm um coração. Mortais esses que, pelos livros são chamados de heróis, e por outros mortais, loucos.
Somos loucos pela vida, e pelas flores na estrada.
Loucos por elas, que, ignorando o anseio, não respondem nada.