jul
01

Consagrado por grandes estudiosos e sociólogos como uma das obras mais importantes do Realismo, Dom Casmurro é uma narrativa subjetiva construída de maneira a inserir o leitor na trama.
Por se sentirem dessa maneira, porém, muitos se envolvem de tal forma à história, que se preocupam em analisar muito o seu clímax. O famoso enigma de Capitu, como ficou conhecida a suposta traição que atormentara Bento Santiago, foi amplamente discutida, defendida e questionada. Dessa maneira, porém, talvez uma outra questão de maior mérito do romance machadiano não tenha sido devidamente contemplada.
Trata-se da genialidade de Machado de Assis ao retratar, por meio do caráter das personagens, comportamentos sombrios do ser humano. Egocentrismo, , hipocrisia e inveja permeiam a obra, característica do realismo. Eles foram inseridos de uma maneira tão perspicaz que os sentimentos e as impressões das personagens se confundem com a história e até mesmo influenciam o entendimento do leitor.
Ao manusear o livro pela primeira vez, li o pequeno texto impresso na contracapa. Um pequeno quadrado continha algumas palavras que talvez até levassem um leitor desprevenido a adquirir o romance por acaso. Convidavam-no a descobrir a quem pertencia a verdade na história. Em outros termos, apelava para a pergunta repetida inúmeras vezes e até mesmo discutida em teses de pós-graduação: “Afinal, Capitu traiu ou não Bentinho?”.
Como ainda não caminhara pelas palavras machadianas, aceitei o convite e entrei, também, na história. Algo me conteve, porém, mais do que a simples ambição de responder a pergunta feita pela Editora Moderna para vender o livro. A impressão de estar assistindo ao que o protagonista descreve é constante. As maravilhosas descrições oferecidas por Machado permitem ao leitor quase ouvir o farfalhar das anáguas de Capitu, passear por entre os coqueiros de Mata Cavalos e sentir os dedos frios de Escobar. Outro fator que nos transporta para dentro do romance é a fala direta com o leitor, outra característica realista impressa nas páginas. Cada detalhe é minuciosamente colocado e conforme a história vai passando, sutilmente percebem-se as personalidades e as críticas à sociedade da época.
Nascido em uma família humilde e sem ter tido a oportunidade de estudar, Machado superou todas as adversidades e escreveu a narrativa mais bem construída do seu tempo. D. Casmurro atravessa gerações e antecede movimentos literários importantíssimos na arte da escrita com cores brasileiras.
Só nos resta reconhecer que Machado de Assis é de fundamental importância na Literatura Brasileira, marcando inclusive o início de um movimento literário, que foi o Realismo.Importante compreender também que nem sempre o que as editoras escrevem na contra capa é de fato o mais importante e discutível de uma obra.
Ler Dom Casmurro é como ser tragado para um infidável mar de emoções humanas trabalhadas de maneira genial por um dos maiores nomes da Literatura Brasileira.
Difficile est longum subito deponere amorem.
Por se sentirem dessa maneira, porém, muitos se envolvem de tal forma à história, que se preocupam em analisar muito o seu clímax. O famoso enigma de Capitu, como ficou conhecida a suposta traição que atormentara Bento Santiago, foi amplamente discutida, defendida e questionada. Dessa maneira, porém, talvez uma outra questão de maior mérito do romance machadiano não tenha sido devidamente contemplada.
Trata-se da genialidade de Machado de Assis ao retratar, por meio do caráter das personagens, comportamentos sombrios do ser humano. Egocentrismo, , hipocrisia e inveja permeiam a obra, característica do realismo. Eles foram inseridos de uma maneira tão perspicaz que os sentimentos e as impressões das personagens se confundem com a história e até mesmo influenciam o entendimento do leitor.
Ao manusear o livro pela primeira vez, li o pequeno texto impresso na contracapa. Um pequeno quadrado continha algumas palavras que talvez até levassem um leitor desprevenido a adquirir o romance por acaso. Convidavam-no a descobrir a quem pertencia a verdade na história. Em outros termos, apelava para a pergunta repetida inúmeras vezes e até mesmo discutida em teses de pós-graduação: “Afinal, Capitu traiu ou não Bentinho?”.
Como ainda não caminhara pelas palavras machadianas, aceitei o convite e entrei, também, na história. Algo me conteve, porém, mais do que a simples ambição de responder a pergunta feita pela Editora Moderna para vender o livro. A impressão de estar assistindo ao que o protagonista descreve é constante. As maravilhosas descrições oferecidas por Machado permitem ao leitor quase ouvir o farfalhar das anáguas de Capitu, passear por entre os coqueiros de Mata Cavalos e sentir os dedos frios de Escobar. Outro fator que nos transporta para dentro do romance é a fala direta com o leitor, outra característica realista impressa nas páginas. Cada detalhe é minuciosamente colocado e conforme a história vai passando, sutilmente percebem-se as personalidades e as críticas à sociedade da época.
Nascido em uma família humilde e sem ter tido a oportunidade de estudar, Machado superou todas as adversidades e escreveu a narrativa mais bem construída do seu tempo. D. Casmurro atravessa gerações e antecede movimentos literários importantíssimos na arte da escrita com cores brasileiras.
Só nos resta reconhecer que Machado de Assis é de fundamental importância na Literatura Brasileira, marcando inclusive o início de um movimento literário, que foi o Realismo.Importante compreender também que nem sempre o que as editoras escrevem na contra capa é de fato o mais importante e discutível de uma obra.
Ler Dom Casmurro é como ser tragado para um infidável mar de emoções humanas trabalhadas de maneira genial por um dos maiores nomes da Literatura Brasileira.
Difficile est longum subito deponere amorem.